ECONOMIA DA CULTURA

Este texto tratará de economia da cultura, e se fundamenta em uma pesquisa retirada do site do Ministério da Cultura escrito em 1998 por José Álvaro Moisés, com a colaboração de Roberto Chacon de Albuquerque, com base em pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro.

O objetivo desta pesquisa era avaliar o impacto dos investimentos públicos e privados em cultura na economia brasileira, no período entre 1985 e 1995.

O PIB DA CULTURA

Em 1997, a produção cultural movimentou cerca de 6,5 bilhões de reais, isso equivale a aproximadamente 1% do PIB brasileiro. Além disso, para cada milhão de reais gasto em cultura, o país gera 160 postos de trabalho diretos e indiretos. A cultura tem um grande impacto social e econômico mostrando claramente a potencialidade da área para a geração de renda e emprego.

No ano de 1994, havia 510 mil pessoas empregadas na produção cultural brasileira.

Com base nesses dados, e levando-se em consideração que o Ministério da Cultura investiu cerca de 400 milhões de reais no patrimônio cultural, artístico e histórico, entre 1995 e 1999, podemos calcular que foram investidos cerca de 80 milhões/ano e gerados 12800 novos postos de trabalho a cada ano apenas nesta atividade cultural.

De acordo, com este levantamento o salário médio pago na área cultural em 1994, era quase duas vezes maior média do conjunto de todas as atividades econômicas do País

Em 1980 a pesquisa revelou que o valor da produção cultural brasileira global alcançava 1% do PIB da cultura, os serviços de saúde chegavam a 2,2% e os de educação alcançavam 3,1%.

Esses dados mostram a importância das atividades culturais para a economia e a sociedade brasileira, quando comparadas com dado relativos aos serviços de duas áreas tão importantes.

INVESTIMENTOS DE EMPRESAS PRIVADAS E PÚBLICAS (1990-1997)

A pesquisa do Ministério da Cultura também analisou os investimentos em cultura realizados por empresas privadas e públicas. Nesse caso, partindo do pressuposto de que as 500 maiores empresas privadas, 99 maiores empresas públicas, 50 maiores bancos e 2 mais importantes holdings estatais constituem o universo mais significativo de empresas que investem em cultura.

Os resultados mostraram que as companhias preferem em primeiro lugar o marketing cultural como meio de ação de comunicação com o mercado consumidor. Foi evidenciado a preferência do patrocínio empresarial em cinco áreas culturais: música, o audiovisual, o patrimônio histórico, artes cênicas e produção editorial.

A pesquisa também revelou que as leis de incentivo à cultura tem um papel extremamente importante para os projeto culturais que foram patrocinados por empresas. Após 1992, houve um crescimento contínuo nos investimentos feitos por empresas, já em 1995 e 1996 após o governo Fernando Henrique Cardoso ter aumentado o limite de descontos permitidos nos impostos de 2 para 5% e de 1 para 3%, nas leis Rouanet e do Audiovisual, o aumento foi maior ainda, e além de incentivar novas empresas a patrocinar, isso fez com que as empresas que já participavam intensificassem seus investimentos, segundo os empresários entrevistados para a pesquisa. Em oito anos analisados (de 1990 a 1997) foram investidos cerca de 604 milhões de reais, e segundo as informações da Secretaria de apoio à Cultura, em 1997, mais de mil companhias investiram em projetos culturais em todo o país. Assim o número de projetos culturais patrocinados teve um crescimento recorde de 737%, muitas vezes maior que aquele apresentado pelo crescimento dos gastos com cultura e pelo número de empresas investidoras, indicando que as empresas começaram a investir mais recursos e que o montante acrescido foi distribuído por um número maior de projetos.

Embora tenham uma tradição mais longa de investimento em cultura, as empresas públicas apresentam crescimento constante pouco considerável de 1990 até 1993, de R$ 25 milhões ao ano. Em 1994, o seu gasto com cultura cresceu 20% em relação ao ano posterior, saltando em 1996 para R$ 56 milhões, o que representa uma taxa de crescimento de 67,6% em relação ao ano de 1995.

GANHO DE IMAGEM INSTITUCIONAL

As empresa não começaram a investir mais, apenas para obter descontos nos impostos, elas fizeram isso, segundo as pesquisas, pois o investimento em cultura pode se transformar em uma ferramenta com grande potencial de utilização. O patrocínio é uma forma de humanizar a imagem das empresas, já que os clientes não vêem apenas a empresa, e sim seu lado humano. Algumas empresas, além de patrocinar eventos e projetos, criam centros culturais como estratégia de marketing, que reforçam ainda mais a imagem humanizada.

Investir em cultura significa estar presente em lugares de muito público, estar associado a momentos de emoção, com ações ligadas, por exemplo, às artes plásticas, a pintores de renome, cujo mercado tem bastante capacidade aquisitiva. Segundo Wânia Pereira, do Centro Cultural Banco do Brasil, o patrocínio é vantajoso, pois ajuda a preservar a cultura, disponibiliza para o público níveis culturais, mas o mais importante é que a empresa fica em bastante evidência e o freqüentador dos eventos vai perceber que a instituição se preocupa com cultura, isso faz com que a pessoa veja a empresa com uma imagem positiva. Este é o retorno que as empresas buscam, serem reconhecidas como uma empresa cidadã, que tem a responsabilidade social de oferecer cultura. Já Heloísa Helena Amorim Dip, assistente do diretor do Centro, Carlos Augusto Calil, acha que o patrocínio é uma troca, a empresa investe dinheiro em um projeto e espera um retorno, que pode ser a divulgação do nome da empresa.

Há outros aspectos que incentivam o investimento apresentado pelas empresas pesquisadas, estão representados na tabela 3.

Tabela 1- MOTIVAÇÕES DAS EMPRESAS AMOSTRADAS PARA INVESTIMENTO EM CULTURA

*Resultados de respostas múltiplas e não excludentes

Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP)

Porém nem todos são beneficiados, como por exemplo o Centro Cultural São Paulo, que recebe uma verba da prefeitura insuficiente, assim eles são obrigados a procurar um patrocinador para manter o funcionamento do centro, o que não é fácil, segundo Heloísa Dip. Para conseguir verba, foi montada a Associação Amigos do Centro Cultural, que capta recursos e reverte totalmente para o centro.

Portanto investir em cultura é apenas uma forma de criar uma proteção invisível a favor da imagem das empresas. Apoiando a cultura a empresa expressa, e muito bem, a face que elas querem projetar de compromisso com a comunidade. Passa a imagem de agente econômico moderno, que está inserido na sociedade e considera os seus valores. A cultura, então, é uma excelente área para formar imagem. Oferece muitas possibilidades e pode atingir muitos segmentos do mercado consumidor, então a empresa espera que na hora que o consumidor for escolher, ele prefira aquela que investe em cultura, que tenha algo diferenciado.

As leis de incentivo estimulam as empresas a participarem de forma mais ativa dessas possibilidades, desenvolvendo a área cultural, gerando renda e criando mais empregos diretos e indiretos. Isso reforça a compreensão de que o investimento privado e público em cultura não é gasto, mas ganho em qualidade de vida da população e avanço em termos de desenvolvimento. Trata-se, em realidade, de uma outra face do desenvolvimento, a sua face humana, tornada possível pela afirmação da identidade daqueles que compartilham a mesma cultura.

 

 

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