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Vanessa Beecroft,
“VB 45”
Vista da performance no
Kunsthalle, Viena, Áustria, 2001
127 X 243,8 cm
Essas fotos da performance organizada
por Vanessa Beecroft fizeram parte de uma das salas especiais da mostra,
que foi dedicada à artista. O que podemos ver na vista da performance,
o que está explícito, é um exército de modelos totalmente nuas, exceto
pelas botas de couro pretas de cano alto, em formação rígida, onde todas
têm aparência praticamente igual. Algumas modelos se destacam individualmente
pela sua aparência, principalmente pela cor do cabelo e em algumas imagens
é possível ver que as modelos se mexem e relaxam durante a performance,
quebram o alinhamento rígido.
O que vai além das imagens e investiga
o seu significado entra no campo das interpretações e por isso é totalmente
individual, mas pensando no tema da exposição (iconografias metropolitanas)
é possível formular uma hipótese (que não deixa de ser legítima por ser
hipótese, mesmo porque não há uma “verdade”) sobre o significado do trabalho.
Essa hipótese levaria em conta o fato de todas a modelos serem iguais
e aparecerem de forma autoritária (botas de couro preto) e rígida (disposição),
mas, em oposição a isso, o fato de algumas modelos se destacarem pela
sua individualidade e também os momentos em que todas se encontram relaxadas.
Segundo Julian Zugazagoitia (curadora
que selecionou a artista juntamente com Alfon Hug) esta obra falaria do
culto ao corpo promovido hoje pela mídia, discutiria a beleza e a perfeição
e teria um impacto especial em um país como o Brasil, “fortemente dominado
pelo culto ao corpo” (…) “como se pode ver nas praias, em qualquer programa
de televisão e no sucesso das supermodelos brasileiras no mundo da moda”.
O trabalho tem sim uma preocupação social em discutir a relação entre
beleza e a ditadura da perfeição e de que todas a mulheres devem seguir
uma fórmula para serem bonitas.
As fotografias, ao contrário das duas
últimas obras que foram analisadas, consegue comunicar essa mensagem
de forma relativamente eficaz ao público: todas a mulheres são aparentemente
iguais e lembram um exército disciplinado, mas ao mesmo tempo o que se
destaca é justamente o que parece mais natural: as fotos em que elas aparecem
sentadas ou conversando e as modelos sem o cabelo tingido. Mesmo assim,
para ir além dessa percepção o espectador precisa fazer uma ligação entre
as fotos e a sociedade em que vive para chegar à interpretação da curadora.
Essa interpretação de Julian Zugazagoitia,
porém, não legitima a existência da obra, apenas estabelece um vínculo
entre ela e o mundo externo a ela, atribuindo a esta uma preocupação social.
Esse trabalho por si mesmo estabelece uma comunicação eficaz com o público,
é possível chegar a alguma interpretação apenas observando-o.
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