Carmela Gross, “Hotel”

Luminoso de ferro e neon no alto da fachada do Pavilhão Cecílio Matarazzo, no Parque Ibirapuera (onde acontece a Bienal de São Paulo) , 2002

11,70 X 3,04 metros

Esta obra faz parte, assim como as duas últimas do conjunto “Representações Brasileiras”.

No texto “Hotel das Estrelas”, do catálogo de representações brasileiras da 25ª Bienal de São Paulo, Agnaldo Farias faz uma interpretação da obra de Carmela Gross pertinente e interessante. Diz que o letreiro em neon com a palavra “hotel” aplicado na fachada lateral do prédio da Fundação age como um parasita, que compromete completamente seu hospedeiro com um simples contato. Diz também que chama a atenção para o fato de que qualquer coisa, pequena ou grande, “hospeda os sentidos que se lhes empresta”, e que isso acontece especialmente em obras de arte, propícias para a “proliferação/hospedagem” de diversos sentidos. Segundo ele a proposta da artista comenta o fato de, nos últimos tempos, os significado de uma grande exposição artística ter mudado.

Essa é uma das poucas obras da bienal que apresenta uma certa acessibilidade ao público, seu objetivo é de intrigar o espectador com a exposição e questionar seu significado e este é alcançado relativamente bem, pois o letreiro com a palavra “Hotel” causa dúvida ao visitante sobre o que encontrará dentro da mostra (a favor dessa obra há o fator do mistério e da expectativa em relação à mostra, já que ela se encontra do lado de fora), essa dúvida causa uma reflexão sobre o que é uma mega exposição de arte como a bienal e qual é realmente seu valor. Para o espectador mais ignorante sobre arte e exposições o letreiro causa no mínimo dúvida e mistério, não muito menos que seu objetivo.

Essa obra é uma das poucas bem sucedidas da bienal justamente porque seu objetivo não ultrapassa seu público; a artista quer causar dúvida, expectativa e confusão, e realmente causa. Não há nela a pretensão de uma crítica ou significado extremamente elaborado esteticamente, o que acaba sendo inviável para a maioria do público que visita a mostra, a obra consegue atingir com sucesso até as crianças, que também ficariam confusas por pensar que estão indo visitar uma exposição de arte e não um hotel e se perguntariam porque há escrito no prédio em vermelho “Hotel”.

fotos da obra (clique para ver maior):