Daniel Acosta, “Estação Avançada com Paisagem Portátil”

Instalação com MDF, compensado sarrafeado, fórmica, tijolos, pintura automotiva, lâmpadas, fluorescentes e acrílico

2002

Estas obras fazem parte do segmento “Representações Brasileiras” da mostra. Este é um trabalho que, como o de Arthur Lescher e muitos outros que estiveram na 25ª Bienal, se perde nos aspectos formais e nos meios de expressão, mas acaba por não expressar nada. As duas construções utilizam materiais familiares como o tijolo e a fórmica, mas são objetos que não fazem referência a qualquer coisa conhecida.

No catálogo “Brasil” da 25ª Bienal de São Paulo Agnaldo Farias se refere a este trabalho como “(…) objeto indeciso, nem escultura nem construção, antes um signo que se corporifica com a artificialidade da fórmica, cujos falsos veios não uma citação da natureza modificada”. Nesse sentido a obras trataria artificialidade da metrópole, se referiria ao espaço urbano como uma prótese na natureza.

Esta interpretação, feita pelo curador do segmento “Representações Brasileiras”, se baseia somente nas formas e materiais dos objetos apresentados. Para a leitura do trabalho por alguém alheio às discussões sobre forma e expressão da arte contemporânea como os alunos das escolas públicas é preciso mesmo um monitor que despeje já algo mastigado pois a obra é completamente inacessível para este público. A reprodução de interpretações por parte dos monitores é necessária, mas transforma a visita em algo monótono e sem reflexão ou investigação.

O trabalho acaba assumindo um papel secundário e sua presença na mostra precisa ser legitimada por uma interpretação já formulada por “entendidos” do “meio artístico”, pois ele não consegue estabelecer por si mesmo uma comunicação com o público.

fotos da obra (clique para ver maior):