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Introdução
A 25ª Bienal de São Paulo
foi uma mega exposição totalmente dedicada à arte contemporânea com o objetivo
fazer um panorama das artes plásticas no Brasil e no mundo, este objetivo
se enfatizou ainda mais na quando Alfons Hug, seu curador geral, decidiu
retirar da mostra o núcleo histórico, que trazia sempre artistas já consagrados.
Diz-se mega exposição porque o público comparece em massa à mostra: a 25ª
edição da Bienal de São Paulo chegou ao final com um público recorde de
668.428 visitantes, à última edição, em 1998, compareceram 390.000 pessoas
e o recorde anterior havia sido registrado em 1994, quando 500 mil pessoas
visitaram a 22ª edição.
Quanto à sua organização a
exposição apresentou trabalhos de 190 artistas de 70 países organizados
em dois grandes segmentos: Iconografias Metropolitanas e Representações
Nacionais, que se distribuiam simultaneamente pelos três andares do pavilhão.
O segmento Iconografias Metropolitanas reuniu 12 pequenas mostras: 11
delas correspondentes a 11 cidades reais escolhidas por Alfons Hug (São
Paulo, Caracas, Nova York, Johannesburgo, Istambul, Pequim, Tóquio, Sidney,
Londres, Berlim e Moscou), cada uma representada por cinco artistas. A
outra pequena mostra é correspondente a uma cidade imaginária, a 12ª Cidade,
que reuniu trabalhos de 12 artistas de diferentes nacionalidades sobre
uma cidade utópica.
O segmento Representações Nacionais
teve 70 países representados cada um por um artista, exceto o Brasil,
que teve uma mostra de 22 artistas com a curadoria de Agnaldo Farias.
Além desses dois principais segmentos e o núcleo brasileiro, a 25ª Bienal
teve salas especiais com trabalhos de nove artistas, três brasileiros
(Carlos Fajardo, Nelson Leirner e Karin Lanbrecht) e seis estrangeiros
(Jeff Koons, Julião Sarmento, Sean Scully, Thomas Ruff, Andreas Gursky
e Vanessa Beecroft) e mais uma mostra de vídeo arte africana e uma de net
arte.
Este trabalho consiste em uma
análise crítica da mostra 25ª Bienal Internacional de São Paulo baseada
nesses dois pólos: seu público e os trabalhos expostos. Seu objetivo é
compreender o significado e o impacto das obras para os visitantes e,
a partir dessa compreensão, verificar a existência (ou não) de uma função
social da mostra.
Há um preconceito em relação
a uma abordagem que visa o conteúdo da obra de arte, mas que se não fosse
superado não seria possível verificar a exposição segundo seu público,
pois este carece de conhecimento para analisar os aspectos formais da
obra e ao se deparar com ela inicia uma busca por seu significado ou mensagem.
A escolha desse tema de investigação
deve-se ao fato de que, na minha perspectiva, a ausência de uma função
social na exposição ou de um entendimento dos trabalhos por parte do público
compromete a validade do evento, pois seu público consiste na maioria
de estudantes de escolas públicas e particulares. Tanto esforço, tanto
dinheiro, para levar ao público coisas que ele não pode entender? Para
que serve afinal a Bienal de São Paulo? É um espaço de reflexão? O que
ela propicia para os visitantes?
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