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Lina Kim, “Cry Me a River”
Instalação com camisas-de-força,
pia, baldes, torneira, espelho, lâmpada, 2001
Esta instalação de Lina Kim foi projetada pela artista
especialmente para esta bienal e faz parte também do núcleo “Iconografias
Metropolitanas” da bienal, sendo esta artista representante da cidade
de São Paulo. No texto “São Paulo, Ó Quão Dessemelhante!” do catálogo
“Cidades” da 25ª Bienal de São Paulo, Agnaldo Farias faz uma análise das
instalações de Lina Kim presentes na Bienal. Segundo esta análise um visitante
que ver a instalação irá, primeiro, observar baldes e camisas brancas,
mas quando se aproximar verá que são, na verdade, camisas-de-força, e
o que antes lhe parecia “um fluxo de liberdade e canidez”, passa a parecer
uma prisão. Lembram uma prisão também os baldes e os tanques de lavar
roupa, pois lembram a faxina e o trabalho árduo, além de as camisas de
força amarradas entre si parecerem “teresas”, das que são usadas pelos
presidiários para fugir da prisão pelas janelas altas. A conclusão feita
por Agnaldo Farias em sua análise é que “em termos sociais, o processo
de eliminação da sujeira,ou, por outras, a obtenção da pureza, passa necessariamente
pela purgação física. De quem, Interroga o trabalho? De quem, interroga
o título da triste canção de quem o trabalho empresta seu nome? De resto,
um blues, ritmo nascido dos cantos de trabalho dos norte-americanos escravos,
condição social que ainda hoje não é estranha a este país, cuja mão-de-obra,
abundante e barata, é vítima preferencial de processos políticos e econômicos
excludentes.”
Porém, há um buraco entre esta interpretação sobre
a obra feita por um dos curadores da exposição e a visão do público sobre
a obra. De acordo com a interpretação de Agnaldo Farias a instalação está
repleta de questões sociais sobre a prisão, o trabalho e a exploração
de classes desfavorecidas economicamente, mas só foi possível chegar ao
fundo desta questão social da obra após uma longa e profunda análise dos
objetos nela presentes e depois da origem de seu título, informação inclusive
que o público não têm, pois não há qualquer tipo de texto informativo
sobre as obras na mostra. Será que um visitante que está a algumas horas
entre os trabalhos da bienal têm condições de fazer uma análise como esta
a cada obra com que se depara? O próprio formato de exposição megalomaníaca
que tem a bienal o impede de compreender o significado dos trabalhos,
pois estes são muitos e aparecem muito desligados um do outro no espaço
do prédio, dispostos em verdadeiros labirintos.
Há um
descompasso entre a mensagem da obra e os meios
por essa utilizados: faz-se uma crítica social a respeito de classes exploradas
e desfavorecidas, mas essa só é acessível através de uma reflexão demorada
e inviável dentro do contexto da exposição e de seu visitante. Por isso
esta obra, que para Agnaldo Farias assume um significado profundo e relevante,
para o visitante da 25ª Bienal de São Paulo
aparece como uma disposição de baldes e camisas-de-força sobre o chão.
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