NISE DA SILVEIRA

Nise da Silveira desenvolveu métodos alternativos de tratamento psiquiátrico. Cursou Medicina na Faculdade da Bahia e se apoiou em conceitos junguianos para realizar suas pesquisas. Adepta da Terapia Ocupacional, via na expressão da pintura, modelagem e xilogravura o meio de ajudar e compreender o doente no seu lado emocional mais interiorizado. Achava que a relação psiquiatra-cliente deveria se dar através de compreensão e afeto.

Foto de Nise da Silveira

Há alguns anos atrás, o tratamento com o eletro choque era o máximo de recurso para os portadores de distúrbios mentais. Nise se coloca radicalmente contrária ao uso da máquina, que provocava convulsão no paciente. Também se contrapõe à lobotomia . Nise da Silveira ficou conhecida por se relacionar de forma humana com os doentes mentais e apresentar uma alternativa aos métodos utilizados para tratamento psiquiátricos.Mais tarde, o termo Terapêutica Ocupacional, por ser considerado pesado e sem emoção no próprio termo, é substituído por "emoção de lidar". Lidar com tinta, papel, dança, costura, lidar com os sentimentos, com a emoção, com os medos e com os prazeres. Lidar com o diferente.

No Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, dirigiu a sessão de Terapêutica Ocupacional durante vinte e oito anos, de 1946 a 1974, transformando-o em um ateliê para suas pesquisas. Durante toda a existência, defendeu o estudo com doentes mentais através da pintura, por acreditar que elas revelavam coisas do inconsciente que não eram relatadas pelos doentes nas conversas com os terapeutas.

Fundou a Casa das Palmeiras, em 1956, com algumas pessoas que apoiavam a mesma idéia, de que a internação não curava, mas tornava a doença mental crônica. A médica criou um Museu de Imagens do Inconsciente, uma inovação no tratamento de pessoas com distúrbios, os loucos. Ao invés de torturá-los com eletro choques, buscou-se a cura por intermédio da arte. A humanidade desses pacientes, antes tratados como alienados e esquecidos nos manicômios, é resgatada pelo contato com materiais e a possibilidade de se expressar por métodos alternativos. Métodos que aparecem para muitos psicóticos como forma de reintegração, na busca de sentimentos profundos e intensos.Nise da Silveira buscou na mitologia o significado dos desenhos de seus pacientes e por isso baseou-se nas idéias do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875 - 1961).

Na Arte Terapia, as atividades expressivas assumem a forma de uma ferramenta terapêutica cuja finalidade é a cura. Mostra para o mundo uma outra imagem da loucura: pessoas criativas e produtivas que podem e devem conviver com a família e com a sociedade. Porém, Nise achava que somente as ocupações que servissem como um meio de individualizar a expressão podiam levar à cura. As imagens do inconsciente são apenas uma linguagem simbólica que o psiquiatra tem por dever decifrar.

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IMAGENS DO INCONSCIENTE

Nise da Silveira escreveu um livro que é resultante de sua longa experiência vivida em um hospital psiquiátrico. A autora, através da observação do exercício livre de atividades diversas da terapia ocupacional se utilizou da psicologia junguiana. Tinha como objetivo penetrar no mundo interno do esquizofrênico e ia contra os conceitos anteriormente estabelecidos, segundo ela, o mundo interno do psicótico encerra insuspeitadas riquezas e as conserva mesmo depois de longos anos de doença.

Fora do campo da psiquiatria, Nise foi buscar ajuda na arte, nos mitos, na religião, na literatura, lugares onde sempre encontraram formas de expressão nas mais profundas emoções humanas. Todo o material obtido vinha na qualidade de linguagem simbólica.

A terapêutica ocupacional cria oportunidade para que as imagens do inconsciente encontrem formas de expressão. A psiquiatria tradicional não oferece ajuda para o estudo dos acontecimentos intrapsíquicos e despreza o estudo das vivências do espaço, onde há possibilidades múltiplas de visões do mundo, como por exemplo o mundo onírico.

Um distúrbio comum é uma dissociação psíquica. Segundo Jung, na demência precoce (esquizofrenia), todos os sintomas podem ser compreendidos psicologicamente. É a partir de um forte afeto que os distúrbios iniciais se desenvolvem, pelo grande impacto de violentas emoções. O que ocorre na esquizofrenia, é que o ego fragmenta-se, tendo um colapso.

Os mitos, segundo Jung, são as manifestações originais da estrutura básica da psique, quando as temáticas dos delírios são colocadas como imagens pintadas eles se tornam visíveis e por isso há uma tomada de consciência que resulta na volta ao mundo real. Todas as funções do corpo devem estar em harmonia, as sensações, os pensamentos e as intuições, as atividades ocupacionais são como um estímulo e solicitam o uso das funções, de modo a restaura-las.

A neurose provém da vida tanto individual quanto em sociedade, na esquizofrenia, o mundo das imagens avassala o campo da consciência tendo por conseqüência a perda da adaptação e do contato com a realidade. O sonho se torna mais real do que a realidade externa.

Uma das funções mais poderosas da arte é a revelação do inconsciente, e este é tão misterioso no normal como no anormal. As imagens do inconsciente são apenas uma linguagem simbólica que o psiquiatra tem por dever decifrar. Mas ninguém impede que essas imagens e sinais sejam, além do mais, harmoniosas, sedutoras, dramáticas, vivas ou belas, constituindo em si verdadeiras obras de arte.

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