Como já citei , o graffiti e utilizado
para diversos meios , talvez para reivindicar direitos , para
dizer o que pensa , expressar-se artisticamente, mostrar o que
outros meios de comunicação não mostram, denunciar questões
sociais, propaganda, ou simplesmente traços ou a própria
assinatura. Seguindo esse pensamento , há vestígios de que
graffiti e pichação são a mesma unidade, talvez tenham
relações, porem o graffiti é uma linguagem única, não se
pode definir o graffiti simplesmente como uma união de cores,
formando letras, objetos, forma engraçadas ,é muito mais
complexo , a principio uma lata de tinta na mão , coragem e uma
idéia na cabeça , sim , porem o que vai importar é a qualidade
ou seja , se inteirar do já feito e dar melhor de si .

Aprofundando minha pesquisa, pude perceber
que as pessoas tem diferentes tipos de concepção de que é o
graffiti, e isso por sinal acaba refletindo no que vem ao caso,
"Por que graffiti é considerado arte para uns e para outros
não?". No entanto podemos dizer que essas diferentes
concepções de graffiti, se diferenciam quanto a ação de
graffitar, que também interfere um pouco nos traços, no
estilo.O graffiti para uns é ação, a "ação de
graffitar", como o próprio experiente Rui Amaral ( conclui
em nossa entrevista), a ação ilegal de , talvez encher a mala
de latas e sair expressando-se de maneira a interferir a ética,
a lei, esponto seus sentimentos , no momento sentidos.Essa
maneira de agir ilegal , na concepção de muitos, em sua maioria
conservadores, ou que sempre estão de acordo com a lei e agem
diante de uma ética, não se pode considerar isso arte , pelo
menos, com uma dignidade o bastante , a ser apreciada
mundialmente talvez, ou seja eles taxam esses caras que utilizam
o graffiti como um meio ilegal, de vândalos desconsiderando-os,
e agindo de uma certa maneira opressora, numa época oprimida
pela péssima distribuição de renda, a vontade de se expressar,
fazer parte da historia ser cúmplice de uma época e muito
grande , e sem sequer observar a arte final, de maneira a
apreciar a mesma conforme as apreciadas e consagradas , em museus
e galerias.
Definido por Norman Mailler como "uma rebelião tribal
contra a opressora civilização industrial" e, por outros,
como "violação, anarquia social, destruição moral,
vandalismo puro e simples", o graffiti saiu do seu gueto - o
metrô - e das ruas para as galerias e museus de arte,
instalando-se em coleções privadas ou cobrindo com seus
rabiscos e signos os mais variados objetos de consumo , e muros
como na maioria , no entanto a pichação , num futuro próximo
pode ter uma consagração igual a que o graffiti após longos
anos de existência , no momento vem tendo. Esta absorção do
graffiti pelo sistema de arte é condenada por muitos, que vivem
na época da "Idade da Bitolação" ou seja, nunca
evoluem seu pensamento de maneira a crer que sempre a censura e o
preconceito prevalecerá , uma vez exercido, sempre exercido, uma
expressão banalmente conservadora, e sem quaisquer, fundamento .
Tim Rollins diz que o graffiti é uma arte radical ilegal.
"Radical porque, em sua maioria, os autores não são
artistas e sua vitalidade está na sua forma primitiva. É
difícil aceitá-lo nas paredes brancas de uma galeria. Ali ela
se torna parte do mercado de comodidades". Rollins garante
que "nós queremos preencher uma lacuna entre os artistas e
a classe trabalhadora, dividimos um desejo de reconstruir as
relações raciais, ligando a arte às comunidades", uma
colocação bastante pertinente , e que nos faz pensar que a arte
com fim de mercado de comodidades é a mais aceita da população
(no caso do graffti)pois na rua ele não tem toda uma platéia
admiradora, e de maneira a crer que o objetivo da arte, é
transmitir talvez mensagens, idéias com o propósito de divulgar
culturas, no entanto se refletirmos e analisarmos a colocação
de Rollins, que a partir do momento que o graffti preenche as
paredes brancas de uma galeria, ela torna-se arte cômoda , perde
sua função de arte ativamente influenciadora da sociedade
urbana, que estabelece contato nos muros da cidade
quotidianamente , para ser banalizada e desobjetivada , nos
museus e galerias , para um possível aceito da sociedade , que
demonstra ai uma carência de informação , ou talvez cultura, e
até mesmo "birra", de ser uma arte em sua maioria
descendente de um povo humilde . ,
Esse certo preconceito, no então provido na minha opinião de
falta de estudo e informação a respeito do graffti, muitas
pessoas confundem graffiti com pichação e vandalismo, até os
próprios policias que recebem instrução ao depara com uma
ação de vandalismo e outras, no caso de arte, o próprio, age
igualmente com pichadores , a graffiteiros, artistas, sempre
distribuindo , palavras hipócritas e "borrachadas"
desnecessárias, e a população ao ver esse tipo de cena,
constrange-se, e fica ao lado da policia descriminando artistas .
Penso que a causa principal desse preconceito seja a falta de
intimidade com a sensação prazerosa que é ver e reconhecer a
legitimidade de uma boa arte, ou mesmo até a pratica da mesma ,
colocando muitas vezes a arte como um veiculo de alienação
desnecessário para o psicológico humano , demonstrando a
carência de informação, bastante enfatizada pela minha pessoa
.
Assim, numa idéia conclusiva , podemos afirmar que a uma
necessidade de uma arte voltada para as grandes massas , vem
desde a pop art, no contexto da pós- modernidade , o graffiti é
voltada para as massas, de maneira a tomar o espaço urbano,
dialogando com a cidade, em busca não da permanência, enquanto
significado de arte consagrada de uma época , mas de expansão,
da arte que é exercita a comunicação e faz propostas ao meio,
de forma bastante interativa. As cidades não são só o suporte
, mas os tons das tintas e os movimentos todos do surpreendente
imaginário humano. " O que está dentro fica, o que está
fora se expande"(Grupo 3nos3), refletindo sobre as artes
contidas em museus e galerias, e enfatizando o graffiti como um
meio em constante evolução , não preso e manipulado a qualquer
meio ou pessoa, e até mesmo lei .
O fato é que o graffiti enquanto arte é parcialmente aceito,
como já disse, é ainda hoje confundido com pichação e tratado
como arte inferior. Isso ocorre quando , em alguns casos, se
apropria da arte estabelecida como matéria-prima e a transforma
, com isso recriando leituras. Vide Cláudio Donato, com seus Van
Goghs Spraussionistas, ou Ozeas Duarte com seu Museu de Rua ,
levando para a cidade releituras de artistas consagrados.
No passado vimos a fotografia transformar a pintura retratista, e
hoje é a fotografia que é utilizada como referencial imagético
pelos graffiteiros na criação de mascaras (stencil art). Não
reconhecer essa dinâmica, permanecendo num jogo de valorização
de um em detrimento de outro, é embotar a sensibilidade ou, na
pior das hipóteses , perpetuar o péssimo habito de pichar esse
ou aquele, intencionando evidenciar convicções pessoais.
O graffiti reflete multiculturalidade na produção de estilos
diversificados, como observamos ao longo destas três ultimas
décadas. A mídia , geralmente, privilegia um determinado
estilo, massificando-o, fazendo crer que o mesmo é único ou
imprescindível, o que não é verdade. Dentro de uma linguagem ,
grupos diferentes se expressam, carregando as próprias posturas.
Se fosse para estabelecer uma suposta relação entre graffiti e
musica, eu diria que ela esta para o hip-hop, rap, new wave,
enquanto a pichação, para o punk, o trash, metal, não que quem
curti punk, não possa fazer graffti e vise versa, só estou
evidenciando que transitando entre grupos de linguagens
diferentes encontramos posturas semelhantes. Mas dentro de cada
postura dialogam visões diferentes entre si, carregando
influencias .
Estabelecer que o graffiti e pichação, são a mesma coisa,
sancionando lei igual, desconsiderando o percurso de luta e
reconhecimento do graffiti, é, no mínimo, não inteligente,
arbitrário. É querer, como se fosse possível , apagar em um
único ato a historia de sucessivos atos, que ao contracenar
criam novos atos de uma outra historia. No entanto queria fazer a
apologia de que graffiti e pichação , são posturas diferentes
com resultados diferentes, o graffiti aceita dialogar, a
pichação se resume mais as letras, porem utilizam-se do espaço
urbano, e a própria origem, por isso as pessoas banalizam ambas
atitudes artísticas, devido a duvida e a indistinção entre
ambos, assim tornando-os artes inferiores.
Precisamos recuperar nossos sentidos sem que nos mutilemos ,
separando corpo da mente e do espirito. Precisamos ser mais
compressivos uns com os outros, quanto há tantos querendo
"indizer", quanto há tantos que de tão acostumados
com seus caminhos conhecidos os percorrem distraidamente, o que
é importante termina emudecendo, ficando invisível. A
população de hoje, é pouco informada, de uns tempos para cá,
que a informação vem tendo sua importância devida, a miséria
e as desigualdades sociais não sustentando uma cultura européia
, assim o povo acaba-se alienando, e agregando-se a culturas não
pertencentes a nossa unidade brasileira, assim conjugando a
miséria com essa globalização, assim podemos dizer, povo acaba
se descaracterizando e sendo manipulado por meios de
comunicação, e por uma política , corrompida por empréstimos
e pressões externas , desnecessárias ao povo e ao próprio
desenvolvimento do Brasil . O graffiti , em fim , para mim arte
deve estar fora do ambiente careta das galerias e fazer parte da
ação cotidiana do homem contemporâneo . Influenciada pelo
excesso de informação urbana e tecnologia , a arte se resume um
papel vital que é expandir , comunicar e conscientizar.
Para isso basicamente a imagem rompida de sua função primordial
, associada a ícones desvinculados da sua função como
representação gráfica. Esse coquetel de linguagem visual
subliminar pretende bombardear diretamente os neurotransmissores
cerebrais , fazendo com que estes liberem uma descarga
significativa de aditivos naturais.
A maior característica, representa o Grupo TupiNãoDá, que fora
desenrolando ao ativismo rigoroso e contracultural. Estavam
preocupados em fazer arte, e não em comercializar arte, talvez
por isso que o grupo tenha ficado tão as margens do mercado, e
levado o graffti como função artística em sua essência ,
provando como fazer um graffiti artístico nos moldes da
verdadeira arte. O compromisso era somente com a produção, e
não interessava o circuito hermético e pouco dinâmico do
universo das artes plástica da época, inferindo e reconhecido
até hoje. Eram transgressores , jovens brotados do nada cada um
de cada canto, fazendo arte para os jovens , eram os caras que
preenchiam o vazio alternativo pop. O que importava não era
sentir-se como um talento individual, mas integrado em sua
plenitude , era sentir do pulsar cardíaco da celebração do
coletivo urbano , fosse graffitando os muros da cidade na
madrugada ou atuando performaticamente.
O mercado da arte só se aqueceu quando a arte passou a ser
considerada menos "esnobe", passando a ser assimilada,
sobretudo nas gerações jovens - devido , em parte , a
evolução do grupo e a atitude sempre persistente e objetiva que
tinham. Mas, não foi só isso que estimulou o crescimento do
graffiti e sua aceitação, na década de 80 e metade dos anos
90, outro fator determinante para melhor estruturação ocorreu
quando algumas pessoas sacaram que quem detêm o poder é o
curador , e não o artista. Foi quando legiões de figurões,
muitos ex-artistas migraram para o setor político da coisa
garantindo, a seu modo uma vaga nesse universo da evolução.
Quando a procura ficou maior que a oferta, os curadores
precisavam curar e galeristas precisavam vender, sob a desculpa
do valor acadêmico , da faculdade de arte ( e somente uma tratou
de fornecer os novos talentos, nada mais oportuno). Uma vez
reciclado e arejado , o ambicioso mundinho das artes tomava
cuidado de se proteger fechando novamente as portas de ingresso
atrás de si, tornando-se novamente elitizador e manipulador do
poder. Quando isso ocorreu, era tarde demais para TupiNãoDá, e
para o graffti da li diante, talvez devido a atitude
transgressiva, foram rotulados de artistas outsiders, não
atrelados a nenhum esquema. Artistas outsiders são difíceis de
se enquadrar. Foram considerados , então bufões arteiros, e
não autênticos artistas revolucionários emergentes de uma
geração espontânea. Ficaram do lado de fora, pondo para correr
pela tangente em pista de areia, Contracultura, neste pais, é
palavrão ou coisa de drogado.
Se nessa época a oportunidade foi pequena, Houve e há muito
menos nas gerações posteriores e atual. A atitude despojada
certamente contribui para saírem da marginalidade e entrar num
noivo circuito, sendo imaturos. O importante, era a celebração
da vida através da arte, vivenciando experiências autenticas.
Foi bom num sentido, permaneceram autênticos e preservados dessa
deterioração obvia que qualquer formula artificial oferece. A
memória de um tempo ido, da participação ativa em um movimento
de contracultura pulsamente, é a melhor coisa que resta de tudo
isso, e que vem a sobrevivência do graffti, porem hoje com um
preconceito novamente grande e conservador, pois o valor de
união, mensagem social.
E o próprio objetivo artístico, modificou muito de lá para
cá, praticamente hoje vivemos uma influencia muito da Europa, e
do Estados Unidos, e isso vem a repercutir nas artes, no entanto
hoje o graffiti caminha numa vertente de um estilo muito pouco
evidenciado, na época de TupiNãoDá, que fora uma época única
que marcou bastante o graffti brasileiro e como ele vem a se
encaixar na sociedade e na cabeça das pessoas a que presenciam.
No entanto o graffiti tende a ser mais contracultural, ainda mais
que hoje como disse sofremos influencias , e o que há e artes
americanizadas, devemos utilizar de uma transformação e auto
identificação, brasil-sociedade, de modo que a arte volte a ser
cultura brasileira, e de maneira a todos que presenciarem se
identifiquem, ainda mais o graffti que é uma arte corriqueira e
que vem a fazer parte do cotidiano, devido a utilizar-se do
espaço urbano.
Temos de nos conscientizarmos uns aos outros, o mais pobre até o
mais rico, abrindo nossa mente para propostas enriquecedoras a
nossa cultura e ao nosso desenvolvimento enquanto termo mundial.
Temos que ser nos mesmo com nossas características, culturas e
origens , não nos deixaremos influenciar por idéias,
determinantes e exploradores , quanto a nos mesmo. E de maneira
que todo esse processo, relativamente e lento, o mesmo posso
dizer em relação a todo o processo artístico, pois depende da
intimidade alcançada entre o homem e o trabalho para que os
resultados estéticos ( no caso da arte) sejam satisfatórios.
Talvez , um dia o Brasil seja o meu Brasil brasileiro , e assim
todo centro urbano , possa vir a ser uma grande galeria de arte
(graffti) ao céu aberto , e o povo acabe por se conscientizar de
que o graffiti não é mesmo vandalismo, e sim uma forma de
expressão .