Cultura de Massa e Indústria Cultural

Considerando este ponto, podemos
dizer que a presença do aparelho de tevê no cotidiano das
pessoas é tão forte que muitos pensam que a televisão é o
único lazer da população. Além da tevê, a ainda escuta de
rádio AM e FM, a leitura de jornais, revistas, escuta de discos,
ou seja, um lazer financiado pela publicidade comercial que
usualmente se designa como industria cultural. Com isso, uma
outra suspeita de que lazer é todo voltado para o consumo ou
para atividade que levam ao consumo.
Os estudos de orçamento-tempo,
mostraram que, efetivamente, quase a metade do tempo livre de
nossa população é gasta com um lazer produzido pela indústria
cultural, vindo principalmente da televisão, seguida de longe
pelo rádio e, mais de longe ainda, pelos livros, discos, jornais
e revistas.
Contudo, é perigoso afirmar que
determinada atividade seja, ou não, produzida pela indústria
cultural, é também importante observar que tais meios de
comunicação de massa nada mais são do que a reprodução de
conteúdos de outras práticas de lazer. Como por exemplo, o
volume de concertos de música erudita ou popular vistos nas
rádios e tevês é incomparavelmente maior do que o das salas de
show e concertos ao vivo. O mesmo vale para outros espetáculos
artísticos e para o esporte, a ginástica, a jardinagem, a
culinária, a informação em geral. Trata-se de um consumo de
lazer e não de prática ativa de lazer.
É importante ressaltar então, as
relações estabelecidas entre indústria cultural, meios de
comunicação de massa e com a cultura de massa. Em um primeiro
momento, podemos achar que estas expressões funcionam como
sinônimos, mas não é assim.
Não se pode falar em indústria
cultural e sua conseqüência, a cultura de massa, em um período
anterior ao da revolução Industrial, no século XVIII; do
surgimento de uma economia de mercado, uma economia baseada no
consumo de bens; e da existência de uma sociedade de consumo,
segunda parte do século XIX. Assim, a indústria cultural, os
meios de comunicação de massa e a cultura de massa surgem com
funções do fenômeno da industrialização. E estas, através
das alterações que ocorrem no modo de produção e na forma de
trabalho humano, que determina um tipo particular de indústria
(a cultural) e de cultura (a de massa). E isto vai dependendo
completamente, do uso crescente da máquina, da submissão do
ritmo de humano de trabalho ao ritmo da própria máquina, da
exploração do trabalhador, da divisão do trabalho.
Conseqüências da revolução industrial, traços marcantes de
uma sociedade capitalista, em que é nítida a oposição de
classes. Neste momento começa a surgir a cultura de massa.
Podemos observar desde então, conseqüências diretas e
indiretas na distribuição cultural dos dias de hoje.
Uma característica muito
importante da indústria cultural, é a formação de uma cultura
homogênea. Mas aqui no Brasil, por ter uma grande desigualdade
na distribuição de renda, acaba por se dificultar a
homogeneização da cultura.