O papel da gramática

 

A escola no Brasil está em crise, e esta não é somente provocada por uma simples verificação da escassez de recurso, do desinteresse das autoridades, nem do despreparo do corpo docente e discente.
Os alunos vão à escola já com o conhecimento lingüístico prévio limitado à oralidade, esta instituição não é responsável em desenvolver esse potencial, mas sim em enriquecer sua expressão oral e permitir-lhe que crie, paralelamente, as condições necessárias para uma tradução efetiva, eficiente, expressiva e coerente de suas idéias, pensamentos e emoções, seja falando ou escrevendo.
A sociedade, por causa das influências pós-guerra, está cada vez mais privilegiando o estilo coloquial, espontâneo e expressivo, modificando, significativamente, a língua popular. Apesar de sua essência positiva, este movimento, pela incompreensão e modismo de muitos, trouxe uma grave conseqüência, o privilégio que foi dado à oralidade fez com que a norma culta fosse desprestigiada, já que foi defendida a idéia de que o verdadeiro bom estilo é aquele que se aproxima da espontaneidade popular, ou que evita o estilo cultivado. A desinformação das pessoas e a crescente substituição da leitura pelos meios de comunicação de massa não permitem ver a quantidade de erros na suposição de que os modernistas, aceitando a decisiva influência popular, admitiram todas as alterações de linguagem. A tendência agiu de tal forma que o português do Brasil, se continuar neste ritmo se tornará dois dialetos diferentes.
A crônica do cotidiano, também escrita de maneira informal, é usada para fins didáticos, o que muda a forma da população jovem aprender a língua. Apesar dos cronistas usarem coloquialismo, muitos deles o fazem de forma elaborada e consciente, porém, em sala de aula, os alunos não são informados de tal propósito estilístico, e perdem o contato com os textos clássicos, e assim também a oportunidade de desenvolver seu campo do léxico e da sintaxe.
Na escola, à medida que não são apresentadas as distinções necessárias entre gramática geral, descritiva e normativa, a atenção do professor se volta para as duas primeiras e a gramática normativa, que deveria ser o enfoque, é desprezada, e em conseqüência, são eliminadas algumas atividades que permitiriam o uso efetivo do potencial idiomático do educando. A gramática, na verdade, prende a língua à uma série de normas que impedem que o idioma evolua. Se não houvesse a gramática, o português estaria dividido em inúmeras outras línguas.

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