Ortografia
O propósito deste
trabalho está ligado ao interesse pelos erros ortográficos
tanto em crianças de primeira à quarta série do ensino
fundamental de escolas públicas e particulares, quanto em erros
encontrados em placas, cartazes, folhetos no cotidiano, e a
possível ligação entre eles.
Para poder entender
estes erros, procurei fazer um breve histórico da educação no Brasil seguido
de esclarecimentos sobre o como está organizado o sistema
educacional, e mais especificamente do ensino fundamental.
Apresento ainda,
uma pesquisa feita em uma
escola particular e uma pública, com alunos de 1ª a 4ª série,
Os resultados apresentados basearam-se em um ditado feito ás
crianças de ambas escolas.
Há também duas entrevistas realizadas com uma das coordenadoras
da escola particular e uma professora
da escola pública sobre como se
desenvolve o ensino da gramática em ambas.
E ainda uma explicação do papel da gramática na escola e no
cotidiano, sem o qual é impossível perceber se há relação
entre estes erros nas escolas e nas ruas.
Também é possível observar vários exemplos de erros
encontrados em cartazes, placas no estado de Minas
Gerais e São Paulo, e folhetos de propaganda de serviços,
estabelecimentos comerciais e divulgação, recolhidos no
município de São Paulo.
Então, podemos concluir que as normas
gramaticais cumprem uma função de manutenção da unidade da
língua que não pode ser desprezada. Porém, como pode ser
observado a gramática como norma também pode ser vista como um
instrumento de dominação, já que, como visto, o sistema
educacional brasileiro historicamente foi produzido socialmente
pela e para as elites. Com a massificação da educação
brasileira à partir da segunda metade do século XX, aliada as
transformações históricas, econômicas e sociais mundiais,
integraram-se no processo educacional todas as parcelas da
população. Desta forma aprender a língua, ler e escrever,
incorporou usos e costumes não só das elites, mas de
populações com variabilidade na língua oral, principalmente,
com diversidade muito maior do que apenas as elites ilustradas.
Com
as transformações mais recentes nas práticas de
ensino, como podemos observar nas entrevistas concedidas
para este trabalho, procura-se incorporar estas mudanças
ocorridas de formas a poder libertar quem aprende da
obrigatoriedade de saber a norma gramatical por ela
mesma, mas inseri-la em um processo de aprendizagem em
que os pressupostos são de que a norma gramatical regula
o uso da língua e melhora a capacidade de dizer bem o
que se quer.
É
possível perceber que há muitos erros ortográficos
espalhados tanto formalmente quanto informalmente, mas a
pesar disto, como vimos, outros problemas interferem no
ensino da gramática nas escolas.
Uma justificativa possível, como vimos é que, devido a
fatores regionais, sociais, ou até estilísticos, esses
erros estão muito ligados a questão da oralidade. Por
exemplo, na língua portuguesa as inúmeras letras que
representam um único som, chamadas ortofonia, que é a
parte da fonologia encarregada de analisar a diversidade
de pronúncia das palavras da língua e apontar a
pronúncia correta, claramente apresentam erros no ditado
oferecido às crianças. Considerando que elas já estão
sob orientação de professoras que utilizam novas
concepções para este ensino, podemos considerar estes
erros como parte do próprio processo de aprendizagem.
Já nos exemplos de cartazes e folhetos encontramos erros
que apontam para um uso deficiente de regras que as
crianças hoje aprendem de um modo diferente. Ou seja,é
necessário investigar mais detidamente por que caminhos
esta diferença de erros troca de letras e
concordância e acentuação se estabelece nos
usos da língua.
Por Marina Paes