Críticas
Segundo a nota que saiu no jornal da Folha de São Paulo, escrita por Eu gênio Bucci, quem faz o papel de um nordestino da Rede Globo, é quase sempre um nordestino, isso é triste, mas é um fato.Na TV, nunca passou de um nordestinês, que no horário nobre, é um nordestinês falsificado e cheio de facilitações e de glamour, que substituiu os sotaques autênticos e ao mesmo tempo deu o direito dos nordestinos aparecerem na TV. Do mesmo modo, o direito à voz dos caipiras. Se há um som que é banido do entreterimento chique do nosso país, esse som é o erre dos caipiras, o mesmo que deveria levar um til em cima para ter sua sonoridade representada adequadamente. A TV abomina o caipira, até as teclas do computador tem preconceito, pois não aparece o til em cima do r.O Kléberrrr que ganhou o prêmio do Big Brother Brasil, é um exemplo de um caipira que teve sua chance na TV e também tinha o seu r que parecia um i, quando ele falava fais paite, como vivia repetindo e virou uma mania entre todo mundo.A fala do interiorzão de São Paulo, de parte de minas, do Paraná, essas falas são emudecidas pela TV, é uma minoria política e é perseguida como se fosse a própria mula sem cabeça. Empresas barram os caipiras, eles não querem um sujeito que fale porrrta, nem pessoas do Rio querem saber de quem puxe aquele errre.A TV, quer acabar com o tal errre no nosso indioma, quer mantê-lo apenas como curiosidade, como moda-de-viola e os bailes de rodeio.Nunca se viu um apresentador de telejornal que ao em vez de falar aquele boa tarrrde acariocado, falasse tarrrde acaipirado.Assim, como dificilmente verá um típico nordestino num papel de galã. Você os verá sim nos programas humorísticos, passando por bobalhões que não percebem a malícia dos outros que lhe cobiçam as mulheres, você os verá como vê os animais em extinção. Não são apenas os negros que não tem vez na televisão brasileira, é o Brasil que não tem vez. É verdade que não temos mais o Sérgio Cardoso pintando o rosto de preto para interpretar um escravo, mas temos aí uma porção de bonitões bancando os coronés de araque, ou posando de jagunços perfumados. Ah sim, temos também os palhaços que fazem a nação inteira dar risada às custas dos caipiras. Na TV, o banimento dos sotaques corresponde ao banimento das diferenças no ideal do Brasil integrado. O Brasil que idolatramos é um Brasil de mentira.