Introdução aos conceitos de Economia Política


Por: Vinícius Silva Couto Domingos e Daniel Gaspari Cirne de Toledo

A economia é uma ciência social que segundo Singer, difere das demais ciências sociais, pois possui uma possibilidade de quantificação que as demais não têm. Por exemplo: em sociologia, quando falamos de relações sociais, estas podem ser distinguidas, analisadas, classificadas; podemos falar em relações simétricas e assimétricas, iguais e desiguais, antagônicas e de cooperação. Há diferentes formas de classificar as relações sociais e, uma vez classificadas, podemos passar à sua análise, ao entendimento de sua dinâmica, e assim por diante. Mas não podemos quantifica-las, não podemos dizer, por exemplo, que uma relação é 7,78 vezes mais intensa que a outra. As outras ciências possuem quase sempre um ângulo de visão qualitativo.
Um ponto muito importante dentro da economia é o valor. E existem duas maneiras completamente diferentes de se definir esse termo. Uma delas é o valor-utilidade que parte da relação entre uma necessidade humana e o serviço ou objeto que a satisfaça, por exemplo: eu tenho fome, o alimento que pode satisfazer a fome é o objeto de uma atividade econômica que valorizo na medida em que ele satisfaz esta necessidade. A teoria do valor-utilidade parte de um comportamento subjetivo. Por outro lado, a teoria do valor-trabalho parte da idéia de que a atividade econômica é essencialmente coletiva. Ou seja, ela não interessa no estudo da ciência econômica, enquanto atividade individual. É claro que os indivíduos, vez por outra, vazem coisas para si próprios, isoladamente. Quando a enceradeira quebra, o dono da casa, tendo habilidade, conserta-a. Esta atividade poderia ser feita por um eletricista; se o eletricista é chamado, sua atividade é econômica, é um serviço remunerado, constitui uma mercadoria, portanto é objeto de estudo da economia. Se o próprio dono da enceradeira a conserta, este não é, do ponto de vista da teoria do valor-trabalho , uma atividade econômica.
Existe um conflito que divide a economia em duas escolas opostas. Esta divisão da economia em correntes, que se repelem e divergem e que, inclusive, não têm uma linguagem comum, distingue os partidários da Economia Marginalista dos da Economia Marxista. A Economia Marginalista diz que a acumulação de capital depende de dois fatores: a perspectiva de rendimento de um novo investimento e a taxa de juros. É chamada de Marginal pois está focalizando um acréscimo ao estoque de capital já existente. O capitalista só irá investir seu capital se este investimento lhe render mais do que a menor taxa de juros do mercado, ou seja, sem riscos em seu investimento. Senão não há vantagem para o mesmo, é melhor manter seu dinheiro seguro e ganhar o de costume. O indivíduo que investe é como se estivesse emprestando dinheiro para a sua própria empresa, porém, ele conhece todos os riscos deste empréstimo. Desta forma, cabe a ele definir os riscos e quanto poderá render essa ação. A eficiência do investimento, para Keynes, também obedece às regras dos "rendimentos decrescentes". Ou seja, há um momento que a eficiência marginal do capital se iguala à taxa de juros. A teoria dos Rendimentos Decrescentes (teoria microeconômica) possui três fatores articulados que dependem um do outro e são inversamente proporcionais - salário, lucro e juro. Se mantivermos dois destes fatores, e aumentarmos um, o rendimento dado por este fator decresce. Se aumentarmos a mão de obra (salário): Por exemplo, uma fazenda é cultivada por cinco trabalhadores e gera rendimento de 10.000,00 reais. Se um sexto trabalhador elevasse o rendimento a 10.300,00 reais, ou seja, este trabalhador tem rendimento para a fazenda igual a 300,00 reais. Se um sétimo trabalhador fosse contratado, o rendimento da fazenda continuaria sendo 10.300,00, ou seja, seu salário é igual ao rendimento dado pelo seu trabalho. Desta forma, um sétimo trabalhador não renderia nada ao capitalista, sendo desnecessária assim sua contratação. Agora se alterarmos o juro, fator capital monetário, renda da terra: se os mesmos cinco trabalhadores cultivam um hectare, geram, por exemplo, um rendimento de 1.000,00 reais ao mês. Se alterarmos para dois hectares e mantivermos o número de mão de obra, o rendimento total da fazenda será de 1.700,00 reais e assim por diante os rendimentos produzidos pelo acréscimo de terras irão decrescer até chegar a zero. De acordo com a teoria, se partimos do pressuposto que o capitalista é racional (dentro dos parâmetros econômicos), nunca será contratado um trabalhador que dê rendimento igual a zero. A teoria acaba por afirmar que sempre que de alguma forma existam atuações externas no mercado, vindas do Estado ou dos sindicatos, para aumentar os salários, aumenta-se o desemprego. Podemos concluir que pelo fato da teoria Marginalista ser microeconômica, não é possível determinar o emprego global. Nos países desenvolvidos, os salários aumentaram e o desemprego diminuiu. Essa teoria demonstra que a culpa pelo desemprego é do trabalhador que quer ganhar mais.
A Economia Marxista (macroeconômica) é quando as empresas dividem tanto o mercado que elas não tem o poder de definir os preços, a concorrência será responsável pela definição dos preços e pela tendência a acumular (Singer, "Curso de introdução à economia política" pg.31). As empresas têm que seguir o ritmo do mercado para não falirem, precisam fazer investimentos. A diferença entre o que o trabalhador deveria receber e o que ele recebe compõe a mais-valia ou do excedente social. A repartição do produto entre "produto necessário" e o "excedente social" se dá essencialmente pela luta de classes. Os trabalhadores estarem ou não organizados em sindicatos, partidos que representam seus interesses, capazes de pressionar e obter do Estado melhorias neste nível de remuneração. Desta luta que se altera para mais ou para menos o nível de remuneração.

Em relação ao mercado monetário:

Outro conceito importante dentro da economia é a concentração do capital. Marx foi provavelmente o primeiro a declarar que a concentração do capital é uma tendência central e fundamental do capitalismo. O filósofo e político dá uma definição muito interessante da concentração ao dizer que cada capital individual é, em maior ou menor grau, uma concentração de meios de produção. A mera existência do capital da empresa individual já implica uma concentração de meios de produção, sob o comando único de um proprietário ou de um grupo de proprietários. Marx define, a partir daí, dois processos que hoje englobaríamos no conceito geral de concentração de capital. Ele distingue concentração de centralização.

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