Violência e Distribuição de Renda


Por: João Tadeu Foá Binsztajn

 

Política Redistributiva: Renda e Violência



Considerando a Inglaterra, por exemplo. Os dez por cento mais ricos têm não mais que 24 por cento da renda do país. Já no Brasil, os dez por cento mais ricos têm 54 por cento da renda total. A opinião do professor Wiles é, entretanto, que na Inglaterra, como nos demais países industrializados onde existe um "Estado do Bem-Estar-Social", "a distribuição tem permanecido substancialmente constante desde a 2ª Guerra. A equalização se deu, nesses países, como conseqüência da destruição do capital físico e da subversão dos padrões sociais provocada pelo conflito mundial".

Segundo Lester Thurow (professor do Massachussets Institute of Technology), que concorda com o Professor Wiles, o grande eqüalizador da renda nos Estados Unidos foi a 2ª Guerra Mundial. Após a Guerra, as razões distributivas continuam iguais.

Já Simon Kuznets (prêmio Nobel em economia), diz que antes da 2ª. Guerra Mundial, pelo menos nos países europeus, houve um segundo grande movimento eqüalizador nos anos vinte. E, no entanto, este também pode ter traçado às conseqüências redistributivas do 1º Conflito mundial.
Formosa e Coréia do Sul são exemplos de países que têm a renda nacional bastante bem distribuída, apesar de não serem países industriais. Aí também foi a guerra que eliminou a classe proprietária japonesa, o que possibilitou uma ampla reforma agrária.

"Um recente estudo em escala mundial, do Prêmio Nobel Wassily Leontief para as Nações Unidas, conclui que somente através de maciças transferências de renda dos países ricos que os países pobres - numa escala somente imaginável após a quadruplicação dos preços de petróleo pela OPEC - é que se conseguirá superar o problema da pobreza mundial 'a altura do ano 2050".

Realidade da Distribuição de renda




"A livre concorrência tende a dar ao trabalho o que o trabalho cria, aos capitalistas o que o capital cria, e aos industriais o que a função coordenadora cria... A cada agente uma quota da produção, a cada uma a recompensa correspondente - tal a lei natural da distribuição." 1
Ou seja, a cada agente (trabalho, industriais,...) terá uma produção diferente dos demais, tal como sua recompensa. Diferindo assim, a distribuição de renda.

"sob a acusação de que a distribuição de renda é totalmente injusta, os capitalistas dão de ombro e dizem: 'Porque nos culpar? Todos recebem e ganham. É a lei natural.' Mas uma economia nacional planificada, a questão da distribuição da renda não pode ser resolvida tão facilmente. Torna-se um ponto central, não mais determinado por forças impessoais, mas uma tarefa importante da autoridade coordenadora central. E nos países democráticos onde essa autoridade pode ser influenciada pelo sentimento da massa da população, não há dúvida de que o abismo existente hoje na distribuição de renda seria consideravelmente reduzido." 2
Este ponto diz que, para que a desigualdade na distribuição de renda reduza, é necessária que a autoridade coordenadora seja influenciada pelo sentimento da massa.


Então, podemos diferir as duas visões: a liberal, de Clark, e a socialista, de Huberman. Pois Clark conclui que cada agente tem uma produção, assim como sua renda, fazendo com que a distribuição de renda seja, naturalmente, diferente; Já Huberman pensa numa distrubuição de renda mais igualitária, no qual é necessário que autoridade coordenadora seja influenciada pelo sentimento de massa. Ou seja, de acordo com Huberman, a distribuição de renda pode se aproximar da igualdade, ao contrário de Clark.


1 J.B.Clark, The Distribution of Wealth, The Macmillan Company, N.York, 1899, Prefácio, p.3
2 trecho retirado do livro História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, 21ª. Edição, revista. Editora Guanabara

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