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Criminalidade em São Paulo e o Jovem

O Jovem e a Violência

Glossário

Todos Na Prisão

Em Todos na Prisão, foi constatado que existe um mercado que é beneficiado pelo aumento da violência e explora este fenômeno, que ficou sendo chamado de "mercado do pânico". Esta é uma uma parcela muito influente do mercado e que não quer que esses índices de violência diminuam, pelo menos não em um âmbito econômico. Esta parcela, constituída por multinacionais e empresas ligadas à questão da segurança, faturou em 2001 aproximadamente R$7,8 bilhões no país, o que é considerado uma quantia elevada para o Brasil e neste ano de 2002 o setor espera faturar ainda mais. Apesar do gasto médio de uma blindagem de um veículo ser de R$ 35 mil a R$ 95 mil, o setor do pânico cresce até 30% ao ano no país. Em 2001, por exemplo, foram gastos R$ 250 milhões com blindagem. Neste ano, a estimativa é de que R$ 300 milhões sejam movimentados. Os dados são da Abrablin, a Associação Brasileira de Blindadores de Veículos Automotivos.


O gráfico acima mostra o crescimento da quantidade de carros blindados no Brasil de 1996 a 2001 e da quantidade de pessoas assaltadas em São Paulo neste período, pois a maioria dos blindados se encontra em São Paulo. Podemos perceber que assim como o números de blindados quase quadriplicou no período, a quantidade de pessoas seqüestradas aumentou mais de 300%. Ou seja, o grande aumento deste método anti-seqüestro não foi suficiente para conter a ampliação da quantidade deste tipo de crime. Este foi um dos dados tratado em Todos na Prisão que mostraram a tentativa das pessoas de se proteger da violência fazendo uso de instrumentos, como: alarmes, habitação em condomínios, etc. Porém, esta tentativa de afastar a violência é apenas uma medida paliativa, pois quanto mais as pessoas tentam se proteger da criminalidade, mais esta encontra meios de alcançá-las, gerando assim um ciclo vicioso, no qual as pessoas estão consumindo cada vez mais sem que esta atitude surta efeito na diminuição da violência.

Também foi feita uma reflexão a respeito do papel do sistema educacional em Todos na Prisão, pois existe uma parcela da população que acredita que o problema da violência só será resolvido quando o problema do sistema educacional no país for resolvido. Porém esse é um discurso falacioso, pois mesmo que houvesse vagas disponíveis e uma qualidade ideal de ensino, seria muito difícil que os jovens carentes realmente pudessem estudar e se por acaso conseguissem fazer isso teriam muitas dificuldades para encontrarem empregos. Esse é o problema da exclusão social, a real raiz do problema da violência e de onde derivam muitos outros, como o da moradia, saúde. É muito perigoso afirmar que a violência está diretamente associada ao problema da exclusão social, já que nem todos os excluídos sociais virão a ser marginais. Uma afirmação como esta seria absolutamente determinista e, portanto, preconceituosa. Realmente, é possível que alguém que não tenha tido acesso à educação, saúde, que tenha sofrido com a violência, que não tenha condições de se sustentar, venha a se tornar criminoso, mas isso não é uma regra, nem está perto de ser. No livro Cidade de Muros a autora Teresa Pires do Rio Caldeira expõe que, atualmente a segregação entre as classes sociais é muito forte, e vem aumentando, mas não apenas através de espaços geograficamente distantes na cidade, os cidadãos de maior poder aquisitivo vem criando enclaves fortificados para suas residências, esquecendo-se da situação geral e, desta forma, agravando ainda mais a exclusão social.


Alguns dos muitos aparelhos de alarme


Estas foram as principais reflexões feitas em Todos no Prisão e as principais conclusões desta monografia foram que a exclusão social deve ser o principal alvo para o fim do ciclo vicioso da violência, pois este é um problema que deve ser eliminado pela raiz, não pode ser apenas contornado por medidas paliativas, que farão com que no futuro ele se agrave ainda mais. Porém para que ocorra a inclusão social, no momento, é necessária uma colaboração dos cidadãos da cidade de São Paulo, que estes mudem suas posturas e deixem de apenas tentar evitar a violência e a combatam de fato, exigindo mudanças, atitudes e soluções, mesmo que de longo prazo, dos governantes e que as promessas destes se tornem realidades.