Todos Na Prisão Em Todos na Prisão, foi constatado que existe um mercado que é beneficiado pelo aumento da violência e explora este fenômeno, que ficou sendo chamado de "mercado do pânico". Esta é uma uma parcela muito influente do mercado e que não quer que esses índices de violência diminuam, pelo menos não em um âmbito econômico. Esta parcela, constituída por multinacionais e empresas ligadas à questão da segurança, faturou em 2001 aproximadamente R$7,8 bilhões no país, o que é considerado uma quantia elevada para o Brasil e neste ano de 2002 o setor espera faturar ainda mais. Apesar do gasto médio de uma blindagem de um veículo ser de R$ 35 mil a R$ 95 mil, o setor do pânico cresce até 30% ao ano no país. Em 2001, por exemplo, foram gastos R$ 250 milhões com blindagem. Neste ano, a estimativa é de que R$ 300 milhões sejam movimentados. Os dados são da Abrablin, a Associação Brasileira de Blindadores de Veículos Automotivos.
Também foi feita uma reflexão a respeito do papel do sistema educacional em Todos na Prisão, pois existe uma parcela da população que acredita que o problema da violência só será resolvido quando o problema do sistema educacional no país for resolvido. Porém esse é um discurso falacioso, pois mesmo que houvesse vagas disponíveis e uma qualidade ideal de ensino, seria muito difícil que os jovens carentes realmente pudessem estudar e se por acaso conseguissem fazer isso teriam muitas dificuldades para encontrarem empregos. Esse é o problema da exclusão social, a real raiz do problema da violência e de onde derivam muitos outros, como o da moradia, saúde. É muito perigoso afirmar que a violência está diretamente associada ao problema da exclusão social, já que nem todos os excluídos sociais virão a ser marginais. Uma afirmação como esta seria absolutamente determinista e, portanto, preconceituosa. Realmente, é possível que alguém que não tenha tido acesso à educação, saúde, que tenha sofrido com a violência, que não tenha condições de se sustentar, venha a se tornar criminoso, mas isso não é uma regra, nem está perto de ser. No livro Cidade de Muros a autora Teresa Pires do Rio Caldeira expõe que, atualmente a segregação entre as classes sociais é muito forte, e vem aumentando, mas não apenas através de espaços geograficamente distantes na cidade, os cidadãos de maior poder aquisitivo vem criando enclaves fortificados para suas residências, esquecendo-se da situação geral e, desta forma, agravando ainda mais a exclusão social.
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