Violência em São Paulo

 

São Paulo não pode ser vista como um único espaço, pois esta é uma cidade heterogênea que possui dentro de si várias regiões com realidades totalmente diferentes. Dentro de uma mesma cidade temos regiões de muita infra-estrutura com pessoas vivendo em excelentes condições em bairros de luxo. Por outro lado, há regiões que sequer possuem os serviços básicos como saneamento, postos de saúde, escolas, coleta de lixo e segurança.

O que há em São Paulo é uma enorme discrepância, a concentração de renda dentro da cidade se dá de uma forma tão desigual que acumula riquezas em alguns lugares e muita pobreza em outros. São Paulo pode ser dividida em dois grandes grupos, os excluídos e os incluídos da sociedade. Existem várias formas de distinguir esses dois grupos (muitos dos quais citei acima), porém a mais evidente está relacionada com a oportunidade de ingressar em uma boa escola e fazer um curso superior. Essas pessoas que têm uma má formação escolar mais tarde vão ter que competir no mercado de trabalho com pessoas que têm melhores condições de vida e puderam cursar uma faculdade. Há também grande diferença nas oportunidades oferecidas pela cidade, regiões com muitos empregos, boas escolas, áreas de lazer, áreas culturais e regiões sem nenhuma dessas coisas.

Distribuição de renda em São Paulo

A riqueza continua a ser altamente concentrada numa parte muito pequena da cidade, o padrão centro-periferia ainda predomina com um grande centro onde as riquezas estão concentradas e a medida que se afasta desse centro a pobreza vai aumentando. Porém há claras evidências que esse padrão vem sendo modificado. Grandes empresas e centros comerciais estão migrando do centro para outras regiões da cidade formando novos "centros" espalhados pela cidade. As regiões centrais de São Paulo vêm se deteriorando rapidamente e com isso as pessoas mais ricas da cidade que moravam no centro estão se deslocando para as periferias das cidades onde moram as pessoas mais pobres. Esse deslocamento vem agravando a criminalidade e a discriminação dentro de São Paulo, pois os ricos que estão habitando as periferias vêm tomando atitudes hostis em relação aos seus vizinhos como medida de segurança e proteção pessoal. Essas medidas vão desde de se fechar em condomínios, contratar vigilantes, colocar câmaras de segurança, blindar carros e com isso os ricos acabam vivendo em enclaves fortificados no meio da periferia pobre. Com resultado dessa aproximação física entre ricos e pobres, a intolerância vem aumentando de ricos em relação aos pobres e vice-versa. O aumento da violência é o efeito mais evidente dessa transformação.

As explicações principais para a violência e suas variações são de que a violência está ligada a fatores como urbanização, a concentração populacional, migração (no caso de São Paulo a migração de nordestinos e populações rurais) e a industrialização. Porém a explicação mais freqüente é a pobreza que quase sempre é apresentada como causadora da violência, mas a pobreza não pode ser culpada pelo aumento da violência nessas últimas décadas pois a pobreza sempre acompanhou a sociedade brasileira desde a sua origem. O que ocorre é uma combinação de fatores (inclusive os fatores acima), fatores como a desigualdade social, o enfraquecimento do Estado e suas instituições de ordem como o judiciário, que está se tornando incapaz de mediar conflitos, a polícia que vem usando de violência para combater a criminalidade e desrespeitando os direitos dos cidadãos ao invés de protegê-los e além disso ocorre a privatização dos processos de segurança que estão indo do Estado para mão de particulares com poder aquisitivo (são 400 mil guardas particulares só no Estado de São Paulo).

Um dos piores aspectos da criminalidade em São Paulo é a contribuição da polícia para piorar sua situação ao invés de ajudá-la. A ação da polícia em diminuir a violência está mais ligada com sua atitude do que com seus equipamentos. A polícia deve reprimir o crime mas apenas se reforçarem forças sociais na mesma direção, como a justiça e os direitos civis. São Paulo hoje apresenta uma situação em que a polícia está reforçando a violência, se movendo em uma direção oposta a sua intenção inicial, apresentando uma tendência a ilegalidade, de ignorar as leis e os direitos civis.

 

São Paulo

Los Angeles

Nova York

Número de mortos pela polícia

1470

25

24

Porcentagem dos homicídios da cidade causado pela polícia

20%

1,2%

2,1%

Eu comparei três bairros em São Paulo todos com características muito distintas o primeiro bairro é o Rio Pequeno, o segundo, Moema e o terceiro, Pinheiros. Rio Pequeno é o que podemos classificar como bairro dormitório, a concentração de empregos é muito baixa (muito menor que o número de habitantes) por isso é que seus moradores todos os dias deixam o bairro e vão para os pólos econômicos da cidade trabalhar. O bairro é bastante afastado do centro e seu acesso é muito difícil, ruas esburacadas, poucas linhas de ônibus e não há metrô. Rio Pequeno é um bairro pobre e falta tudo a seus moradores escolas, creches, centros de lazer, centros culturais, saneamento, coleta de lixo, segurança, presença da polícia. Tudo isso mostra o nível de exclusão social de seus habitantes, e a falta de presença do Estado.

Rio pequeno

Moema é exatamente o oposto, um bairro a cujos moradores nada falta, bem localizado Moema é relativamente próxima do centro, é fácil encontrar transporte ou por ônibus ou por ruas bem asfaltadas e sinalizadas. Os ricos moradores de Moema dispõem de tudo: boas escolas, hospitais, áreas de lazer (Parque do Ibirapuera) e uma grande presença da polícia em comparação com Rio Pequeno.

Moema

Moema, como Rio Pequeno, é um bairro residencial mas as semelhanças param por aí. Os indicadores sociais são opostos enquanto Moema apresenta indicadores sociais igual ao de países da Europa enquanto Rio Pequeno está mais próximo da África. Os índices de criminalidade acompanham os indicadores sociais: Moema bairro de pessoas com alto poder aquisitivo, possui índices de criminalidade baixo, já Rio Pequeno bairro de esmagadora maioria pobre, tem criminalidade alta. Pinheiros aparece como um bairro distinto dos outros dois pois apesar de apresentar os indicadores sociais como os de Moema, com moradores ricos, tem índices de criminalidade quase iguais ao de Rio Pequeno. Isso me causou surpresa já que Pinheiros é um bairro sem favelas, com todo os serviços, presença constante da polícia e próximo do centro. Esses altos índices de criminalidade são explicados por Pinheiros não ser um bairro dormitório, muito pelo contrário, milhares de pessoas todos os dias vão para Pinheiros trabalhar em seus inúmeros comércios e lojas; Pinheiros é um bairro comercial. Esse grande fluxo diário de pessoas para para trabalhar e consumir cria um ambiente sujo (em algumas partes), cheio de mendigos (Pinheiros tem 202 mendigos contra 11 de Rio Pequeno) e um ambiente cheio de lojas e pessoas circulando nas ruas gerando uma situação propensa a criminalidade. Ver dados estatísticos

Pinheiros

Como conclusão final podemos dizer que a violência, e o seu aumento nos últimos anos, está ligada a diversos fatores como a exclusão social e a falta de oportunidades na educação. A pobreza e a urbanização também contribuem, assim como uso da violência pela polícia e o enfraquecimento do sistema judiciário. Além dessas explicações mais comuns São Paulo vem sofrendo muitas transformações nos últimos anos: antes ricos moravam no centro, e pobres na periferia, o que vem mudando com o deslocamento dos ricos para as periferias. A criminalidade também está associada aos fluxos urbanos , quando esse vai para uma determinada região a tendência da criminalidade é se instalar nessa região elevando os índices de criminalidade (como no caso de Pinheiros).

 

Quantidade de homicídios por bairro

 

 

Bibliografia

 

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